Roteiro de 7 dias no Egito
- paulilarissa
- 23 de dez. de 2025
- 15 min de leitura
Egito foi uma das melhores viagens da minha vida.Confesso que fui com poucas expectativas, muito por tudo que sempre ouvi sobre o país. Que é perigoso, especialmente para mulheres, e que não se deve viajar sem agência.
A experiência que vivi lá confirmou essas informações, mas também mostrou algo muito maior. Sim, o Egito é um país que exige atenção, planejamento e suporte. Porém, estando bem acompanhada, com uma agência séria e guias experientes, é totalmente possível fazer uma viagem linda, intensa e segura.
Logo no início da viagem, ouvi do meu guia uma frase que ficou ecoando na minha cabeça:“Você nunca mais será a mesma depois do Egito.”No começo, soou como um clichê turístico. No último dia, percebi que era uma verdade profunda.
No Egito, a história não está apenas nos livros, ela está diante dos seus olhos. Aprendemos sobre faraós que acreditavam se tornar imortais, verdadeiros deuses após a morte. Homens enterrados com toneladas de ouro, joias e símbolos de poder, certos de que tudo aquilo os acompanharia na eternidade. E, ainda assim, morreram. Suas riquezas foram saqueadas, perdidas ou hoje estão expostas em museus, vistas por milhões de pessoas ao redor do mundo.
É impossível não refletir. No fim, não levamos nada dessa vida. Nem ouro, nem títulos, nem poder. O que fica são as experiências que vivemos, os lugares que nos transformaram e as pessoas que tocamos ao longo do caminho.
O Egito não é apenas uma viagem. É um convite à reflexão, à humildade e ao entendimento do que realmente importa. Voltei diferente. E, como meu guia disse, nunca mais a mesma.
Como organizei minha viagem ao Egito
Fiz essa viagem com a MAKTUB, e isso fez toda a diferença. A agência cuidou de absolutamente tudo: logística, deslocamentos, entradas nos pontos turísticos e restaurantes. Isso me permitiu viver o Egito com tranquilidade e segurança.
Contamos com um guia egípcio que falava português de forma impecável e nos apresentou a história, a cultura e os costumes do país com muita profundidade. Cada templo, cada monumento e cada paisagem ganhavam um novo significado com suas explicações.
No Egito, não recomendo improvisos. Ter uma agência estruturada não é luxo, é segurança.
E se você optar por ir sozinha?
Se você decidir fazer a viagem por conta própria, também é possível. Vou deixar aqui no blog o roteiro detalhado de tudo o que fiz em cada dia, com dicas práticas e pontos de atenção para quem deseja seguir esse caminho com mais autonomia.
Documentos necessários para entrar no Egito
Antes da viagem, é importante se organizar com a documentação básica:
Carteira internacional de vacinação, com a vacina contra febre amarela
Visto, que pode ser comprado no próprio aeroporto no Egito, logo na chegada
Chip de internet no Egito
Assim que cheguei, comprei meu chip de internet no aeroporto, da Vodafone. Funcionou muito bem durante toda a viagem, com sinal estável tanto nas cidades quanto nos deslocamentos.
Ter internet no Egito faz muita diferença, seja para comunicação, mapas, organização dos passeios ou simplesmente para se sentir mais segura. Importante dizer que a maioria dos hóteis e restaurantes não possuem. Wi-fi!
Melhor época para ir
Melhor período: outubro a abril, quando o clima é mais ameno
Verão (junho a agosto) é extremamente quente, com temperaturas acima de 40 °C
Mesmo no inverno, faz calor durante o dia e esfria à noite
Roupas e vestimenta
Prefira roupas leves, porém mais fechadas
Evite shorts curtos, saias muito acima do joelho e decotes
Tenha sempre um lenço para cobrir os ombros
Não é obrigatório usar véu, mas respeitar a cultura local faz diferença
Segurança e comportamento
Evite andar sozinha, principalmente à noite
Negocie preços antes de qualquer serviço, é cultural e esperado por eles que você negocie. Os preços podem chegar a 70% a menos do valor original oferecido
Desconfie de “ajudas” espontâneas em pontos turísticos
Não leve abordagens para o lado pessoal, faz parte do choque cultural
Dinheiro e gorjetas
A moeda local é a libra egípcia
Dólar é amplamente aceito
Cartão funciona, mas dinheiro em espécie é indispensável. Não use cartão em mercados e bancas de rua, sob risco de clonagem
Alimentação e cuidados com a saúde
Não beber água da torneira
Usar água mineral até para escovar os dentes
Comer em restaurantes indicados
Levar medicamentos básicos, especialmente para o intestino
Hidratação e protetor solar são indispensáveis
Para quem o Egito faz sentido
O Egito não é uma viagem de descanso. É uma viagem de impacto.Faz sentido para quem gosta de história, espiritualidade, reflexões profundas e está disposto a sair da zona de conforto.
Tempo ideal – 10 a 12 dias
Esse é o período que considero mais equilibrado para viver o Egito com profundidade e sem exaustão. Sete dias foram corridos, mas consegui ver as principais atrações, só faltando o mar vermelho.
Alimentação no Egito: onde comi e me senti segura
Uma das maiores preocupações de quem viaja ao Egito é a alimentação e o medo de passar mal. No meu caso, ninguém do grupo teve qualquer problema, e isso se deve muito à escolha criteriosa dos restaurantes.
Em Cairo, almocei no Abou Shakra, um restaurante tradicional de comida típica egípcia, com vista direta para as Pirâmides de Gizé.
Além da experiência surreal de comer olhando para um dos maiores símbolos da humanidade, a comida era muito bem preparada e o local bastante estruturado.
Ainda em Cairo, também comi no Soiree, com ambiente agradável, boa estrutura e pratos bem executados.
Em Luxor, jantei no Al Hussein, outro restaurante que vale a recomendação. Comida saborosa, ambiente tranquilo e, novamente, ninguém passou mal após a refeição.
No Egito, escolher bem onde comer faz toda a diferença. Restaurantes indicados por guias ou agências confiáveis tornam a experiência muito mais segura e prazerosa.
O restante das refeições foram ou no Mc Donald’s ou no cruzeiro.
Hospedagem no Egito
Em Cairo, fiquei hospedada no Safir Hotel Cairo. O hotel tem boa estrutura, quartos confortáveis, café da manhã completo e localização prática para os deslocamentos pela cidade.
Foi uma hospedagem tranquila, limpa e segura, o que faz muita diferença depois de dias intensos de passeio no Egito. Dormir bem e ter um hotel organizado impacta diretamente na experiência da viagem.
Assim como alimentação e transporte, a escolha da hospedagem no Egito não deve ser aleatória. Hotéis bem avaliados e indicados por agências ou guias ajudam muito a evitar perrengues.
Seguro viagem
Viajar para o Egito sem seguro viagem não é uma opção. Os passeios são intensos, as distâncias são grandes e qualquer imprevisto pode gerar custos altos.
Eu utilizei o seguro da Real Seguro, que me deu tranquilidade durante toda a viagem, com cobertura adequada para emergências médicas, atendimentos e imprevistos.
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Seguro viagem não é um gasto, é um investimento em segurança, principalmente em um destino como o Egito.
Dia 1 – Pirâmides de Gizé e o Novo Museu Egípcio

O primeiro dia no Egito já começa com impacto. Estar diante das Pirâmides de Gizé é uma experiência difícil de descrever. Mesmo depois de ver tantas imagens ao longo da vida, nada se compara a estar ali, ao vivo, encarando construções erguidas há mais de quatro mil anos, com uma precisão que ainda hoje intriga engenheiros e historiadores.
O complexo abriga as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, além da Esfinge. Caminhar por aquele espaço é sentir o peso da história e perceber o quanto o ser humano sempre buscou a eternidade. Os faraós acreditavam que, após a morte, se tornariam deuses, e tudo ali foi construído para garantir essa imortalidade.
Depois dessa primeira imersão, seguimos para o Grande Museu Egípcio, que complementa perfeitamente o dia. O museu é moderno, grandioso e extremamente bem organizado. Seu acervo impressiona não apenas pela quantidade de peças, mas pela forma como a história é contada. Estátuas colossais, objetos do cotidiano e tesouros faraônicos ajudam a entender como aquela civilização era avançada para sua época.
O contraste entre as pirâmides milenares e o museu ultramoderno deixa claro que, no Egito, passado e presente coexistem o tempo todo. É como se a viagem começasse ali, mas ao mesmo tempo atravessasse milhares de anos em poucas horas.
O Dia 1 costuma ser intenso e cansativo, mas é também um dos mais marcantes de toda a viagem. Ele define o tom do restante do roteiro e deixa claro, logo de início, que o Egito não é apenas um destino turístico, é uma experiência que transforma.
Dia 2 – Khan el-Khalili, Mesquita de Muhammad Ali e trem para Assuã
O segundo dia começa mergulhando no Cairo mais caótico, vivo e culturalmente intenso. A visita ao Khan el-Khalili é uma experiência sensorial completa. Ruas estreitas, lojas por todos os lados, cheiros, cores e sons que se misturam o tempo todo.
Para quem não tem paciência de pechinchar, existe uma loja dentro do mercado com preços fixos, o que facilita muito a experiência. Isso traz mais tranquilidade para comprar souvenirs sem a pressão constante de negociação, algo que pode ser cansativo para muitos turistas (lojas Jordi e Kalal)
Em seguida, visitamos a Mesquita de Muhammad Ali, localizada na Cidadela. Além da imponência da construção, o que mais chama atenção é a vista panorâmica do Cairo e o clima de espiritualidade do local. É um daqueles momentos que fazem a gente desacelerar em meio à intensidade da cidade.
Depois por um lugar que me marcou muito pela importância histórica e espiritual. Estávamos no Cairo Copta, uma região onde cristãos e muçulmanos convivem há séculos.
Ali fica uma das primeiras igrejas católicas/cristãs do mundo, a Igreja de São Sérgio e São Baco, construída sobre o local onde, segundo a tradição cristã, Jesus ficou escondido com Maria e José durante a fuga para o Egito, para escapar da perseguição de Herodes. Há inclusive uma cripta subterrânea onde se acredita que a Sagrada Família tenha se abrigado.

O mais impressionante é que tudo isso fica muito próximo de uma mesquita, mostrando como o Egito concentra, em poucos metros, camadas profundas de fé, história e humanidade. Estar ali trouxe uma sensação muito forte de conexão espiritual, independentemente da religião, é impossível não sentir o peso e a importância daquele lugar.
Ainda nesse dia, seguimos para uma das etapas mais longas do roteiro: o deslocamento de Cairo até Assuã. Pegamos o trem noturno, onde dormimos por aproximadamente 14 horas. Apesar de longo, foi uma experiência interessante e uma forma prática de vencer grandes distâncias no Egito enquanto descansávamos. O trem é simples, mas funcional, e faz parte da vivência real do país.

Algo que merece ser mencionado é o comportamento dos homens em relação às mulheres. Ao caminhar pelas ruas e mercados, os olhares são constantes e, muitas vezes, invasivos. Isso pode causar desconforto, especialmente para mulheres que não estão acostumadas com esse tipo de abordagem. Não é algo pessoal, faz parte do contexto cultural, mas é importante estar preparada emocionalmente e evitar interpretações romantizadas.
O Dia 2 é intenso, cansativo e marcante. Ele escancara o contraste entre história, fé, caos urbano e choque cultural, preparando o viajante para a próxima etapa da viagem rumo ao sul do Egito.
Dia 3 – Chegada a Assuã, Templo de Ísis e Vila Núbia
Após a longa noite no trem, chegamos a Assuã, já no sul do Egito. Mesmo cansados, o dia começa com uma energia completamente diferente do Cairo. Aqui tudo é mais calmo, mais colorido e com um ritmo próprio.
Do trem, seguimos direto para a visita ao Templo de Philae, dedicado à deusa Ísis. O templo é belíssimo e carrega uma simbologia muito forte, especialmente ligada à feminilidade, proteção e renascimento. Estar ali, cercada pelo rio, traz uma sensação de conexão e espiritualidade difícil de explicar.
Depois da visita, deixamos as malas no Cruzeiro pelo Rio Nilo, que seria nossa casa pelos próximos dias, e seguimos para uma das experiências mais autênticas da viagem.
Visitamos uma comunidade ribeirinha, a Vila Núbia. Colorida, acolhedora e cheia de identidade, a vila preserva tradições muito antigas do povo núbio. Ali fomos recebidos em uma casa local, o que permitiu um contato real com o cotidiano da comunidade.
Vivenciamos a cultura local de perto: provamos comida típica, experimentamos narguilé, fizemos tatuagem de henna e observamos costumes que passam de geração em geração. Um detalhe que surpreende muito é que, para eles, os animais de estimação são crocodilos, algo impensável para nós, mas absolutamente natural dentro daquela cultura.
Esse dia é um divisor de águas na viagem. Depois do caos e da intensidade do Cairo, Assuã e a Vila Núbia mostram um Egito mais humano, acolhedor e profundamente ligado ao rio Nilo. É um dia de troca cultural, aprendizado e encantamento, que fica marcado na memória de forma muito especial.
O povo núbio
Conhecer a Vila Núbia é, antes de tudo, conhecer o povo núbio. Um povo ancestral, que vive às margens do rio Nilo há milhares de anos e preserva uma identidade cultural muito forte, mesmo após tantas transformações históricas.
Os núbios são conhecidos pela hospitalidade, pelo jeito tranquilo de viver e pela relação profunda com o rio. Suas casas são pintadas com cores vibrantes, cheias de símbolos que representam proteção, espiritualidade e conexão com a natureza. Tudo ali tem significado, nada é apenas decorativo.
Historicamente, muitos núbios foram deslocados de suas terras durante a construção da Represa de Assuã, mas, mesmo assim, conseguiram manter seus costumes, sua língua própria, suas tradições e seu modo de viver. A cultura é passada de geração em geração, principalmente por meio da música, da culinária e da convivência comunitária.
Ao visitar uma casa local, é possível perceber como o cotidiano é simples e, ao mesmo tempo, cheio de rituais. Compartilhar a comida típica, sentar para conversar, experimentar o narguilé e observar a naturalidade com que convivem até com crocodilos como animais de estimação mostra o quanto aquela realidade é diferente da nossa.
O contato com o povo núbio foi um dos momentos mais ricos da viagem. Não foi apenas uma visita turística, mas uma verdadeira troca cultural. Um lembrete de que o Egito vai muito além de templos e faraós, ele é feito de pessoas, histórias vivas e culturas que resistem ao tempo.
Dia 4 – Roadtrip pelo Deserto do Saara até Abu Simbel
O Dia 4 começa ainda de madrugada, com uma roadtrip de cerca de 3 horas pelo Deserto do Saara, atravessando paisagens áridas, silenciosas e quase hipnóticas. Durante o trajeto, chegamos a aproximadamente 10 minutos da fronteira com o Sudão, o que torna a experiência ainda mais simbólica.
O destino final é o Abu Simbel e posso afirmar sem dúvida: foi o meu templo preferido de toda a viagem.

Construído por Ramsés II, Abu Simbel é mais do que um templo, é uma declaração de poder. As quatro estátuas colossais logo na entrada representam o próprio faraó em escala monumental, pensadas para intimidar e impressionar qualquer um que se aproximasse. Nada ali é sutil.
Por dentro, o templo segue impressionando. As paredes contam histórias de batalhas, conquistas e da glorificação de Ramsés II como uma figura quase divina. Cada detalhe foi projetado para eternizar seu nome e seus feitos.
Um dos aspectos mais fascinantes de Abu Simbel é que ele não está em seu local original. Com a construção da Represa de Assuã, o templo corria o risco de ficar submerso. Na década de 1960, ele foi desmontado bloco por bloco e reconstruído em um ponto mais alto, mantendo a mesma orientação solar. Um feito histórico da engenharia moderna, que preservou inclusive o fenômeno em que o sol ilumina o interior do templo em dias específicos do ano.
Abu Simbel reúne tudo o que torna o Egito tão impactante: grandiosidade, obsessão pela eternidade, simbolismo e história. Foi impossível sair dali sem me sentir pequena diante de algo tão monumental.
O templo de Nefertari e a história de amor por trás de Abu Simbel
Além do grande templo dedicado a Ramsés II, Abu Simbel abriga um dos símbolos mais bonitos do Egito Antigo: o Templo de Nefertari, também conhecido como Templo de Hathor.
O templo foi construído por Ramsés II em homenagem à sua esposa favorita, Nefertari. E o mais impressionante é que, mesmo sendo um faraó poderoso, Ramsés escolheu representar Nefertari do mesmo tamanho que ele na fachada do templo, algo raríssimo no Egito Antigo, onde as esposas normalmente apareciam em escala menor.
Ramsés II teve muitas esposas, estima-se que cerca de oito esposas principais, além de concubinas, e foi pai de mais de 100 filhos ao longo de sua vida. Ainda assim, Nefertari se destacou. Ela não era apenas esposa, mas conselheira, intelectual e figura política importante. Sabia ler e escrever hieróglifos e participava ativamente da vida diplomática do reino.
O templo é dedicado à deusa Hathor, deusa do amor, da música e da fertilidade, reforçando o caráter simbólico e afetivo da construção. As inscrições exaltam Nefertari não apenas como rainha, mas como alguém essencial ao faraó.
Em meio a tantos templos erguidos para exaltar poder, vitórias militares e a obsessão pela eternidade, o templo de Nefertari se destaca por contar uma história profundamente humana. A história de um homem que, mesmo tendo inúmeras esposas e filhos, escolheu eternizar em pedra o amor e o respeito por uma única mulher.
Depois do almoço, visitamos um dos lugares mais curiosos de Assuã: o Obelisco Inacabado, também conhecido como o obelisco deitado. Diferente dos outros monumentos grandiosos, aqui o que impressiona é justamente o fato de ele nunca ter sido concluído.

Esculpido diretamente na rocha, o obelisco foi abandonado após surgirem rachaduras durante sua construção. Ele teria sido o maior obelisco já feito no Egito, com cerca de 42 metros de altura e mais de mil toneladas. O local funciona como um verdadeiro “manual a céu aberto” de engenharia egípcia antiga, permitindo entender exatamente como os obeliscos eram talhados, separados da rocha e transportados.
Ver o obelisco ainda preso à pedra traz uma perspectiva diferente sobre o Egito. Não apenas sobre o que foi concluído, mas sobre os projetos que falharam, os limites técnicos da época e a grandiosidade das ambições faraônicas.
Esse encerramento do Dia 4 equilibra perfeitamente a experiência: depois do impacto monumental de Abu Simbel, o obelisco inacabado lembra que, apesar de toda a obsessão pela eternidade, até os faraós enfrentavam erros, limites e imprevistos. Um fechamento simbólico para um dos dias mais marcantes da viagem.
À noite, já a bordo do cruzeiro, tivemos a tradicional noite egípcia, um dos momentos mais leves e divertidos da viagem. O clima muda completamente: música típica, dança, integração do grupo e muitas risadas depois de dias intensos de história e passeios.
Quem quis entrar no clima pôde comprar a fantasia típica egípcia (galabeya) ali mesmo no Egito. É fácil de encontrar e os preços são bem acessíveis, geralmente entre 25 e 50 reais, dependendo do modelo.
E aqui fica um destaque especial: a galera mais velha, incluindo minha mãe, deu um verdadeiro baile de motivação nos jovens. Foram eles que puxaram a animação, tomaram conta da pista de dança e mostraram que energia, alegria e vontade de viver não têm idade. Os mais novos que lutaram para acompanhar.
Não é obrigatório participar, mas vale muito a pena. Além de render boas fotos, a noite egípcia é uma forma descontraída de vivenciar a cultura local e encerrar o dia com leveza.
Dia 5 – Um dia inteiro navegando pelo Rio Nilo
O Dia 5 acabou sendo diferente do planejado. Devido a um atraso no cronograma, passamos o dia inteiro em navegação pelo Rio Nilo, o que mudou completamente a programação inicial.
Durante o trajeto, atravessamos a Eclusa de Esna, uma passagem no rio onde todos os cruzeiros precisam parar para conseguir seguir viagem. Esse processo costuma levar cerca de uma hora, e é interessante observar como o nível da água é ajustado para permitir a travessia das embarcações. Ver isso de perto ajuda a entender a logística por trás da navegação no Nilo.
Como estávamos atrasados, não conseguimos chegar a Luxor a tempo de visitar o templo que estava programado para esse dia, então a visita foi remarcada para o dia seguinte. E, sinceramente, acabou sendo ótimo.
Esse imprevisto nos deu algo raro em viagens muito intensas: tempo. Pudemos curtir o cruzeiro com calma, aproveitar o deck, observar o Nilo passando lentamente, descansar o corpo e a mente depois de tantos dias cheios de história, deslocamentos longos e emoções fortes.
Às vezes, o atraso vira presente. O Dia 5 foi isso: um dia de pausa, contemplação e conexão com o rio que dá vida ao Egito há milhares de anos. Um respiro necessário antes de seguir para Luxor e para os próximos grandes templos da viagem.
Dia 6 – Balão em Luxor, Vale dos Reis e templos
O Dia 6 começa de um jeito inesquecível. Foi minha primeira vez voando de balão, logo em Luxor, sobrevoando o Vale dos Reis ainda ao amanhecer. Ver o sol nascendo sobre aquele cenário milenar é algo difícil de colocar em palavras.

Lá de cima, além da vista impressionante dos templos e montanhas, foi possível observar escavações recentes, com áreas ainda em estudo e até esqueletos recém-descobertos, algo que torna a experiência ainda mais surreal.

Pensar que, milhares de anos depois, o Egito ainda guarda segredos sendo revelados é simplesmente incrível.
Depois do balão, seguimos para explorar o Vale dos Reis por terra. É ali que estão algumas das tumbas mais bem preservadas do Egito, com pinturas, cores e hieróglifos que parecem ter sido feitos ontem. A sensação é de entrar diretamente na história.

Entre elas, está a famosa tumba de Tutancâmon, onde foi encontrada sua múmia. Mesmo sendo uma tumba menor em comparação a outras, ela carrega um peso histórico enorme e um simbolismo único.
Ainda no mesmo dia, visitamos Deir el-Bahari, o templo funerário da faraó Hatshepsut. A arquitetura é completamente diferente dos outros templos, construída em terraços que se integram à montanha. É um lugar imponente, elegante e cheio de significado, especialmente por contar a história de uma mulher que governou em um mundo predominantemente masculino.
Para fechar o dia, visitamos o Templo de Luxor, localizado no coração da cidade. O templo impressiona pela grandiosidade das colunas e pela forma como ele se conecta à vida moderna ao redor. À noite, iluminado, o clima fica ainda mais especial.
O Dia 6 foi um dos mais intensos e emocionantes de toda a viagem. História, descobertas recentes, arquitetura monumental e a realização de um sonho pessoal. Um dia que reforça como o Egito consegue, o tempo todo, surpreender e emocionar.
Dia 7 – Tempo livre no Cairo e retorno
O Dia 7 foi mais leve e tranquilo, dedicado ao tempo livre no Cairo até o horário do voo. Depois de tantos dias intensos, cheios de deslocamentos, história e emoções fortes, esse último dia serviu como um momento de desaceleração.
Foi uma oportunidade para organizar as últimas coisas, revisitar mentalmente tudo o que foi vivido, fazer pequenas compras finais e observar o cotidiano da cidade sem pressa. Cairo é caótico, intenso e contraditório, mas também cheio de vida, e esse tempo livre permite enxergar a cidade com outros olhos, já sem o impacto inicial.
Esse dia de encerramento ajuda a assimilar a viagem. Não foi uma despedida apressada, mas um fechamento natural de um roteiro que mexe com a gente do começo ao fim.
Voltei para casa com a certeza de que o Egito não é apenas um destino visitado, mas uma experiência vivida. Uma viagem que transforma, provoca reflexões profundas e deixa marcas que vão muito além das fotos.
Se você ficou com dúvidas ou quer mais dicas práticas sobre o Egito, pode me chamar por DM no Instagram.Também não deixe de ver os destaques, onde compartilhei muitos vídeos e informações do dia a dia da viagem.
👉 @laripauli🔗 https://www.instagram.com/laripauli/
Espero que esse relato te ajude a planejar melhor e, quem sabe, a viver uma experiência tão transformadora quanto a minha.





























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